Grupo Cidade
Grupo Cidade
Liberdade para decidir quando ser mãe


Daniel Diógenes (Foto: Divulgação)

No Brasil, as mulheres têm adiado cada vez mais a decisão de se tornarem mães. Entre 1998 e 2017, segundo o Ministério da Saúde, o número de mulheres que deram à luz após os 40 anos cresceu em 50%. Se somadas ao perfil etário das mulheres a partir dos 35, esse número chega a 65%. Em contrapartida, houve redução de 15% no número de grávidas na faixa dos 20 aos 29 anos.

A decisão por trás desse adiamento pode ter como base diversos fatores: estabilidade financeira, foco no crescimento profissional, e até mesmo segurança quanto à situações relacionadas à saúde, como por exemplo o atraso do sonho devido a doenças que estejam mais presentes como foi o caso da Zika, há alguns anos, ou até mesmo o coronavírus, neste ano.

"Independente dos motivos da mulher ou do casal, é importante estar atento aos fatores limitantes, situações que podem dificultar a gestação com o avançar da idade", alerta Dr Daniel Diógenes, médico especialista em medicina reprodutiva e diretor da Fertibaby Ceará.

A faixa dos 35 aos 39 foi a que apresentou o maior crescimento, segundo dados do Ministério da Saúde, chegando aos 71% entre 1998 e 2017. O médico reforça que esse crescimento não é um reflexo de melhora da capacidade de engravidar nessa faixa etária. "A partir dos 35 anos, as chances de engravidar começam a reduzir vertiginosamente. Para se ter uma ideia, enquanto uma mulher aos 25 anos tem 80% de chances de engravidar, aos 35 até os 40 anos, essa capacidade reduz para um pouco menos de 10%. É uma redução muito grande", afirma.

Para ele, se a mulher deseja adiar a gravidez, é preciso planejar desde cedo. "Se existe essa possibilidade de deixar pra realizar o sonho pra depois dos 30, 35 anos, a mulher precisa se preparar. Entender primeiro que o corpo e a sua capacidade reprodutiva estará reduzida a partir dos 35, logo poderá precisar de ajuda", completa.

O médico lembra que a medicina reprodutiva tem diversos caminhos para ajudar a realização desse sonho, e tem sido cada vez mais procurada, tendo em vista esse aumento da gestação em mulheres acima dos 35. Uma das possibilidade para se preparar é o congelamento dos óvulos.

"O corpo da mulher tem uma quantidade finita de óvulos, ou seja, em um determinado momento, não haverá mais óvulos. Por isso que o processo de congelamento destes é muito importante para quem deseja adiar a gravidez. Imagine como se fosse uma estocagem. Ela está ali congelando e guardando o seu embrião para que futuramente possa fazer fruto dele, transformá-lo em uma nova vida".

Eo primeiro passo para a mulher que deseja fazer o congelamento dos óvulos são os exames que vão garantir a saúde dos embriões. Esses procedimentos irão identificar ou afastar qualquer chance de um embrião que não tenha qualidade para o congelamento.

O segundo passo são os medicamentos que ajudarão no processo de liberação e multiplicação desses óvulos. Essa fase dura em torno de duas semanas.

Em data definida, após esse período, chega o momento de retirada dos óvulos. A coleta dos folículos (onde estão os óvulos) é feita em um centro cirúrgico. O médico lembra que essa coleta poderá acontecer em mais de uma sessão, em ciclos diferentes. Quanto maior o número de óvulos congelados, mais chances para a futura mamãe.

Com os óvulos retirados, eles passam pelo processo de vitrificação, ou seja, são congelados, permanecendo sem prazo de validade para que a mulher possa utilizá-los quando ela se entender pronta para ser mãe.

O processo de congelamento de óvulos pode ser realizado sem contra indicações, mas Dr. Daniel lembra que em alguns casos específicos ele se torna muito importante. "Para as mulheres que desejam congelar os óvulos, a idade é um fator determinante. Isso porque depois dos 35 anos, além da redução no número de óvulos, a qualidade dos mesmos também sofre alterações", confirma.

Outras situações que o médico alerta são para mulheres que têm histórico de menopausa precoce na família e mulheres que necessitam fazer tratamento oncológico e que poderá afetar a fertilidade. 

COMENTÁRIOS