Grupo Cidade
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Patrícia Calderón analisa o novo projeto multimídia

A entrevistada da semana é a super apresentadora Patrícia Calderón. Antenada com o que há de mais moderno em tecnologia e mídia, a conceituada jornalista, que traz em seu currículo entrevistas exclusivas com Lula, Dilma Rousseff e Michel Temer, falou com nossa equipe sobre o novo projeto: o podcast “Não Pira, Respira”. Ela ainda abordou carreira, planos futuros e o que a tira do sério, além de desmistificar tabus sobre saúde mental. “Há 20 anos, fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade. Antes, eu saía gritando, descontrolada para tentar me defender. Hoje, conto até mil e respiro profundamente. Não faço mais as coisas por impulso. A ideia é que as pessoas que precisam procurem ajuda, procurem um tratamento adequado. Cansei de sofrer preconceito. Chegou a hora de gritar para o mundo que ser portadora de qualquer distúrbio mental não quer dizer que a pessoa seja louca”, afirmou. Confira:

Como nasceu a ideia do "Não pira, respira"?

A ideia do podcast sempre existiu, só que ficou engavetada por algum tempo. Durante a pandemia, eu me senti na obrigação de falar sobre o tema, aí coloquei o projeto em ação. Há 20 anos, fui diagnosticada com Transtorno de Ansiedade, e esse momento de isolamento é onde a saúde mental começa a dar sinais de desgaste. O assunto precisa ser debatido com seriedade. Após a pandemia, segundo a Organização Mundial de Saúde, os números de casos de depressão e ansiedade serão alarmantes. Discutir saúde mental, neste momento, é necessário. Foi aí que nasceu o “Não Pira, Respira”.

Qual o alicerce teórico para viabilizar a temática da produção?

Como o podcast trata de assuntos direcionados à Saúde Mental, toda semana, eu viabilizo a entrevista com um especialista e convidado para, juntos, debatermos o tema. Como leio muito sobre os mistérios da mente e doenças relacionadas aos distúrbios mentais, fica mais fácil elaborar a pauta que será abordada.

Com certeza! De que maneira define a importância do projeto nesse momento de pandemia?

O projeto é fundamental e nasceu em meio à pandemia para que as pessoas não se esqueçam de cuidar da saúde mental durante o isolamento. Mente sã, corpo são. Me preocupa o “pós” pandemia, o número de pessoas desempregadas, com dificuldades financeiras, onde com certeza estresse, ansiedade e depressão farão parte do dia a dia de muita gente ao redor do mundo.

Como avalia a saúde mental da sociedade atualmente durante a quarentena?

As pessoas estão em confinamento, muitas em ambientes pequenos, com muitos integrantes da família, outros precisando fazer home office com crianças que estão sem aula. Difícil! Tenho certeza que não está sendo nada fácil para a maioria. Tiro um exemplo por mim.

Até que ponto suas experiências pessoais repercutiram na formatação do "Não Pira, Respira"?

Praticamente de forma integral. O projeto nasceu para que a gente possa falar de saúde mental sem preconceito, sem tabu, sem medo. A ideia é que as pessoas que precisam procurem ajuda, procurem um tratamento adequado. Cansei de sofrer preconceito. Chegou a hora de gritar para o mundo que ser portadora de qualquer distúrbio mental não quer dizer que a pessoa seja louca. Chega de preconceito, chega de tabu.

O que lhe tira do sério?

Pessoas falsas, manipuladoras, que não admitem os erros e a ingratidão. Tenho pavor de gente ingrata e preguiçosa. Gratidão é o dom mais lindo que Deus ensinou ao homem.

Como reage a um momento em que precisa se acalmar e manter a mente sã?

Antes, eu saía gritando, descontrolada para tentar me defender. Hoje, conto até mil e respiro profundamente. Não faço mais as coisas por impulso.

Chegou quando em Fortaleza?

Em 2006. Larguei tudo em São Paulo para encarar esse desafio profissional em terras cearenses, onde permaneço até hoje.

Já apresentou quais programas?

Já fiz um pouco de tudo em TV. De produtora a apresentadora. Já estive à frente de projetos incríveis como Jornal da Cidade, Riquezas do Ceará, boletim Cnews, Sede de Justiça e, atualmente, o Diálogos.

Quais projetos atuais?

Dar continuidade aos projetos pessoais, como o podcast. Além de continuar tocando meus compromissos com a TV Cidade e agora com a Rádio Jovem Pan, que faz parte do Grupo Cidade de Comunicação. 

O que pensa após a pandemia?

A humanidade nunca mais será a mesma após essa pandemia. Quero acreditar que o “menos” é “mais”. Mais contato com a natureza, mais participação em ações sociais, mais momentos em família. Menos mesquinharia, menos rancor, menos hipocrisia. Quero muito trabalhar envolvida e engajada a algum projeto social.

Quais entrevistas marcantes que destaca em sua carreira?

Quando entrevistei três presidentes da República com exclusividade para a TV Cidade Fortaleza: Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

E a Calderón daqui a 10 anos?

Com certeza, mais madura, muitos aprendizados com as experiências da vida e quem sabe cuidando do primeiro netinho, né? A Nina vai fazer 15 anos já, daqui 10, ela estará com 25 e eu com 55, meu Deus, como o tempo passa rápido. Vou ser uma vovó sarada correndo pelas praias de Fortaleza (risos).

Para finalizar, qual conselho daria para quem precisa respirar para não pirar?

Ao notar qualquer problema de ansiedade, estresse ou mudança de comportamento, procure ajuda médica. Não deixe o problema tomar uma proporção que não tenha volta. Os transtornos mentais não têm cura, mas possuem tratamento e melhora. Você pode viver normalmente se procurar ajuda precocemente.

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