Grupo Cidade
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Renno: o poeta cearense que conquistou o Brasil

A Frisson teve a honra de entrevistar com exclusividade um dos artistas mais talentosos do Ceará. Compositor, músico, cantor e multi-instrumentista, Renno cravou seu nome no cenário nacional com seu talento inconteste. Em carreira solo, ele celebra muitas conquistas. E não perde o foco de sua missão. “Continuar fazendo da música a minha grande aliada, não apenas para mudar a minha vida e da minha família, mas também de outras pessoas. Minha missão é fazer com que a música seja o ar que eu respiro e o ar que outras pessoas respirem também”, afirmou. Acompanhe a seguir:

Como se deu o início de sua carreira artística?

Comecei com oito anos de idade tocando teclado, que eu ganhei de presente dos meus pais. Comecei a tocar em festinhas de aniversário, na época, era em cruzeiro ainda o pagamento. De lá, o próximo passo foi ser músico de igreja. Depois, eu comecei a tocar na noite, em bares, churrascarias e pizzarias. Até tocar com o primeiro artista. Toquei com vários artistas até ser convidado para integrar a banda do Fagner. Depois, eu montei a dupla com o Ítalo, que durou até o final de 2018. Desde 2019, estou em carreira solo.

Quais os principais obstáculos superados ao longo de sua trajetória?

O obstáculo que o músico enfrenta, na maioria das vezes, é a insegurança. Mas não a insegurança do mercado e, sim, a insegurança dele mesmo. Sempre procurei me qualificar, nunca deixei de aprender. Comecei a fazer faculdade aos 16 anos, fiz Biologia, mas não concluí o curso. Depois, descobri que não era para mim e fiz o curso de Música, no qual me formei. A maior dificuldade foi ver todo mundo falar que o mercado não prestava. E hoje vivo da música. Muito feliz!

De que forma avalia a produção musical cearense contemporânea?

A produção musical cearense sempre foi muito rica. Ao longo do tempo, foi se transformando, assim como mercado. A velocidade das coisas é muito intensa. Hoje, temos aqui produtores musicais e estúdios que não deixam nada a desejar a nenhum estado do Brasil nem do exterior. E compositores também de primeira qualidade. Na verdade, hoje, o Ceará é um exportador de talentos de arte.

O que levou ao fim da dupla Ítalo e Renno? 

O encerramento da dupla se deu porque a gente se respeita muito e tinha pontos de vistas diferentes. Então, se os dois começam a pensar um pouco diferente em relação aonde querem chegar, a gente tem que ser inteligente a ponto de respeitar a opinião do outro e não sacrificar uma amizade de tantos anos. O Ítalo é meu amigo, a gente se fala até hoje. A gente encerrou apenas o trabalho, mas ele é um cara que eu respeito demais, talentosíssimo, sou fã. A gente passou a seguir caminhos diferentes porque ele pensava de uma forma e eu pensava de outra. E isso não é um problema, pelo contrário. Isso foi uma chance de a gente enxergar o nosso potencial individual e de investir nele. Há quatro anos, eu comecei a compor canções. Fiz mais de 350 músicas, que foram gravadas por artistas nacionais. Dessas, cerca de oito foram hits que ocuparam primeiro lugar nas rádios do Brasil. Acredito que o Ítalo está muito feliz, assim como eu também. Começos e finais são muito importantes. Isso oxigena a nossa vida, o nosso trabalho, o nosso caminho.

Quais as principais mudanças sentidas na carreira solo?

A carreira solo me ajudou a enxergar um Renno diferente do Renno da dupla. Pois tudo depende de mim agora, depende das minhas escolhas, depende do meu talento. A opinião que eu preciso escutar é a opinião do público. E eu sigo um pouco da minha intuição, porque, quando você é dupla, naturalmente precisa sempre estar em concordância, e a carreira solo me possibilitou fazer as coisas do jeito que eu sempre sonhei. Sempre pensei em idealizar! Deus está abençoando a minha carreira solo. São muitas conquistas: toquei em grandes festivais do Nordeste, gravei o meu primeiro clipe com participação nacional do (Wesley) Safadão. Então, foram muitas alegrias.

A que atribui o êxito de sua carreira como cantor, compositor e multi-instrumentista?

Eu acredito que todas as conquistas que eu logrei durante toda a minha carreira foi porque eu acreditei sempre em mim. Toda vida que eu acredito em mim as coisas dão certo. Eu saí de Fortaleza para Goiânia sem conhecer praticamente ninguém. Então, quis investir em mim para que o Brasil todo me conhecesse. No meu primeiro ano de composição, acertei o meu primeiro hit, que foi “Ar-condicionado no 15”. Depois, veio “Na conta da loucura”, com Bruno e Marrone; “Não atende, não”, com Wesley (Safadão); “Todo mundo vai sofrer”, com Marília Mendonça; e “Quem pegou pegou”, com Henrique e Juliano. Então, assim, toda vida que o artista acredita nele, as coisas dão certo.

Como artista, de que forma avalia o momento nacional da área cultural?

A cultura é muito dinâmica. Nós nos enganamos quando pensamos que a cultura é apenas aquilo que passou. Cultura é o momento presente. O funk é uma realidade de cultura dentro das favelas, o forró eletrônico é uma realidade dentro da cultura nordestina, assim como o sertanejo é uma realidade dentro do centro-oeste, do sudeste e do sul. Cultura é tudo aquilo que deixa uma imagem na cabeça das pessoas. Eu sou muito feliz com o momento cultural do Brasil porque muita coisa mudou. Os meios de consumo mudaram muito, hoje, está mais acessível. Só não bebe da cultura quem não quer.

Parte considerável do setor artístico está insatisfeita com medidas atuais impostas ao núcleo cultural brasileiro. Como você analisa esse período?

É meio “cultural” do povo brasileiro reclamar às vezes um pouco de tudo. Pode ser que as coisas estejam dando certo e, mesmo assim, receberão críticas. Eu não tenho do que reclamar do mercado brasileiro. Se a gente ficar só reclamando de braços cruzados, as coisas não saem do canto. Então, muitas coisas mudaram. Os meios de consumo mudaram, os shows mudaram, as casas de shows mudaram. Mas a música tem um leque muito vasto de trabalho. Quem cruza os braços não sai do canto. Então, prefiro olhar pelo lado bom.

Falando nisso, como interpreta o momento político e econômico atual do Brasil?

O Brasil é um país muito poderoso, muito lindo, um dos melhores e maiores do mundo. Basta que a gente tome consciência, pois a gente reclama muito da classe política, mas nós precisamos ser corretos e honestos com o nosso País. Só reclamar não resolve problema, vamos fazer a nossa parte. Eu acredito que a transformação do Brasil começa com cada gesto, com cada atitude. Uma pessoa sozinha não pode transformar o mundo, mas, se ela conseguir influenciar outras, daqui a pouco, teremos um mundo melhor.

Como é sua rotina de artista multi-instrumentista, cantor e compositor?

Minha rotina é muito louca. Eu agora estou organizando um pouco melhor, mas passei quatro anos viajando três semanas seguidas, foi um tempo muito intenso. Como eu sou muito família, isso me consumia muito. Quando estou em casa, minha vida é da minha esposa e dos meus filhos, Arthur e Enrico. Então, organizei minha rotina novamente, pois ficar longe deles me deixava um pouco mal. A minha rotina hoje é assim: uma semana viajando para compor, outra semana em Fortaleza, outra semana viajando para compor, outra em Fortaleza. Nos finais de semana, fazendo shows. Um dia, se Deus quiser, vou ficar mais em casa.

Quais os artistas que mais influenciaram sua carreira?

Eu vim do jazz, da música instrumental, sou um cara plural. Já escutei muito música baiana. Toda a obra da Daniela Mercury e da Ivete Sangalo, como também já escutei artistas pianistas de projeção internacional. Escuto aquilo que eu preciso ouvir. Hoje, principalmente, tenho que escutar aquilo que o povo está consumindo, pois eu produzo música de larga escala de consumo, então, tenho que estar afinado com o que o povo está ouvindo.

Quais os cantores que marcam presença com mais frequência em suas playlits?

Os artistas que mais marcaram minha carreira foram Djavan, Fagner e Dominguinhos.

Sonha em gravar com algum artista?

Sou um cara muito sonhador. Sonho em gravar com muita gente. Na minha carreira solo, colho frutos que eu nem imaginava. Em um ano de carreira solo, já conseguir gravar com um artista do porte de Wesley Safadão é uma grande conquista. Mas gravar com outros artistas, sim. E tenho planos nesse sentido. Mas, por hora, é amadurecer minha carreira.

O que espera do futuro pessoal e profissional na próxima década?

Continuar fazendo da música a minha grande aliada, não apenas para mudar a minha vida e da minha família, mas também de outras pessoas. Minha missão é fazer com que a música seja o ar que eu respiro e o ar que outras pessoas respirem também.

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