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Milton Nascimento sobre Brasil: "Bicho, que pesadelo é esse?"


Foto: Divulgação

O cantor Milton Nascimento, com mais de cinco décadas de carreira, demonstra preocupação com os rumos atuais do Brasil. "A cultura indígena é parte da minha vida há muito tempo. E essa é outra preocupação seríssima que eu tenho agora. É chocante saber que temos no governo um ministro do meio ambiente que quer se aproveitar da pandemia para, como ele mesmo disse lá naquela reunião maluca, aquele negócio de aproveitar ‘a oportunidade que a imprensa está dando (porque só fala de Covid-19) e ir passando a boiada e mudando todo o regramento’. A tragédia é muito maior que isso. Temos um governo que não confia em nada que seja relacionado à ciência. Um governo que faz piada com a palavra dos cientistas e, além de todo esse absurdo, os caras ainda têm um desprezo absoluto pela arte, pela tradição e pela história do próprio País. É uma tragédia sem parâmetro. Bicho, que pesadelo é esse?", indagou em entrevista a O Tempo.

Bituca também destacou a questão do debate racial. "Toda essa mobilização pelo mundo é uma prova de que nada disso ia ficar em vão. Mas é muito importante que esse movimento agora ganhe mais força. É preciso continuar, porque é só o começo. Minha vida foi marcada pelo racismo, e isso desde a minha infância em Três Pontas, onde nem no clube da cidade me deixavam entrar. Eu ficava ouvindo os shows na praça, do lado de fora. E esse é só um único fato. O racismo, infelizmente, está aí até hoje, em todos os lugares e, aqui no Brasil, cada dia mais escancarado", lamentou.

Quanto às lives, ele não nega. "Já vi várias lives neste período de pandemia aqui em casa, é a única forma que a gente tem de ver um show hoje em dia, né? E eu acho que, enquanto a gente tiver nessa crise de saúde, vai ser assim", explicou.

Milton também falou de sua relação com a tecnologia. "Atualmente, muito mais, mas nem sempre foi assim. Essa mudança começou quando eu vim morar em Juiz de Fora com meu filho, Augusto. E, pela primeira vez, tenho um celular com meu próprio número, e é nele também que acompanho o pessoal que segue minhas redes. Gosto muito de saber deles, o que estão pensando", pontuou.

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